quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Alexandre Reinecke, a Terceira voz do Lion Man Branco

Lion Man, uma série do início dos anos 70, foi algo, no mínimo diferente na TV brasileira. Contendo um enredo totalmente distinto do que já tinha sido apresentado, trouxe uma temática mais adulta, com uma certa pitada de violência, focada nos acontecimentos de um Japão da era Feudal, repleto de Samurais e Ninjas, figuras que sempre despertaram certo interesse para o público deste lado do planeta.

Não é errado dizer que esta foi uma das produções que menos se destacou mediante a avalanche de super heróis de roupas coloridas - ou compostas de fibra de vidro tentando imitar o metal. Mas com certeza animou as manhãs e tardes dos seus inúmeros telespectadores, e que até hoje tem seus fiéis seguidores, lembrando com saudosismo as aventuras do Leão Laranja/ Branco.

É valido comentar que esta série teve uma passagem um pouco conturbada e até certo ponto desorganizada no Brasil. Mas tal fato, guardadas as devidas proporções, também aconteceu em seu país de origem. A série original, Kaiketsu Lion Maru - o de cor BRANCA - começou a ser exibida no Japão em 01/04/1972 e encerrou-se no dia 07/04/1973, totalizando 54 episódios. Produzida pela P-Production, sucedeu o herói Spectreman, outro conhecido das crianças brasileiras que assistiam a TVS, em meados dos anos 80. No geral, teve uma repercussão considerável, o que ocasionou uma espécie de continuação.

Então, na semana seguinte, em 14/04/1973, Fuun Lion Maru - o de cor LARANJA - estreava na Fuji TV, sendo finalizada com apenas 25 episódios, no dia 29/09 do mesmo ano. Esta nova versão, contava com o mesmo protagonista da anterior, Tetsuya Ushio, sob o mesmo alter ego Dan Shishimarú/ Lion Marú, e também seguia o mesmo padrão de narrativa: um jovem herói solitário, com poderes misteriosos, se levantava abertamente contra um império inimigo que pretendia tomar o Japão, e no decorrer de sua jornada, era auxiliado por uma jovem e um garoto. Sem muita amarração com a história pioneira, em alguns capítulos dava a entender que os fatos ocorridos na "fase" Kaiketsu eram apenas ilusões ou sonhos, visto que em determinado episódio, o Leão Branco aparece em frente à Shishimarú, invocando-o, numa espécie de dejavú. Havia um outro personagem que constava nas duas versões, Tiger Joe, que também acabou sendo incluído na continuação de forma avulsa.

A estréia por aqui aconteceu na TV Manchete, em 02 de Outubro de 1989, ao lado de Jiraiya. A série do Leão (Laranja) tinha apenas 10 capítulos exibidos, e em seguida era reprisada. Mais adiante, teve os demais apresentados, inclusive o final - prática nem sempre corriqueira na época. Após algum tempo, literalmente sem aviso prévio, a emissora começou a passar capítulos da fase "Branca" no meio da exibição daquela que estava no ar. E a primeira versão nipônica (que aqui foi a segunda a ser mostrada) tinha um arranjo diferente nas músicas de abertura e encerramento, além de algumas músicas de fundo (BGM's). Isso porque a Top Tape, distribuidora do seriado, quis disseminar as canções tupiniquins, com intuito de lançar fitas cassete e um LP. E assim aconteceu por um determinado tempo, e até hoje não teve ninguém que pudesse explicar o porque dessa misturança de forma aleatória. Há teorias de que só foram exibidos alguns capítulos, desrespeitando totalmente a cronologia original. Na coleção não oficial de DVD's que circula pela internet, existe o áudio dublado dos seguintes capítulos:

01 - Orotí, o Enviado de Satan;
02 - Derrubem o Monstro da Montanha;
07 - Ataque à Montanha de Ouro;
08 - O Nascimento do Diabo e o Homem Monstro;
09 - O Vampiro Zumbi Chama os Mortos;
11 - Gamakiriân, o Lobo do Inferno;
12 - O Buraco do Mar e o Monstro Kirôji;
13 - O Monstro Peixe;
14 - O Monstro Errante Nezugânda;
22 - A Flauta Roubada.

Deduz-se que esses foram os capítulos exibidos da fase Kaiketsu, alternados com os 25 da fase Fuun. Após um tempo, devido a quantidade baixa de espisódios e a reprise exaustiva, a série saiu do ar.

A dublagem também teve seus detalhes. Falando inicialmente do Leão Laranja, nos primeiros 08 capítulos, o herói - que teve seu nome abreviado/ adaptado para Dan Shimarú/ Lion Man - , foi dublado pelo Nelson Machado. Seus amigos Shinobú (Lucia Helena Azevedo) e Sankíti (Hermes Baroli); e seus inimigos, Mântor do Diabo (Muíbo Cury e depois Borges de Barros) e Agdár (Gastão Malta), compunham o elenco principal de dublagem, sob a direção de Gilberto Baroli, na Álamo.


A partir do capítulo 09 até o final, quem assumiu o protagonista foi Leonardo Camillo. E um fato no mínimo curioso, é que a partir do episódio 17, um novo e aloprado aliado surgia no seriado: Nijíno Nanáiro, e este era dublado por ninguém menos que o próprio Nelson Machado. Só depois de muitos anos é que ficamos sabendo que em 1989, Machado se desligou da empresa e teve que ser substituído no personagem principal, mas algum tempo depois voltou a trabalhar na casa, e não fazia sentido em tirar o Camillo - que já vinha dublando frequentemente - e reescalá-lo para voltar a fazer o herói.

Quando o capítulo 01 do Leão Branco foi ao ar, novas surpresas. Embora a moça e o menino fossem outros atores, as mesmas vozes - Lucinha e Hermes - foram mantidas. Talvez para dar um clima de continuação. E também o Camillo reprisava seu papel. Nos vilões, tínhamos mudanças: Baroli fazia o Diabo Gózun, e Mauro de Almeida o Devil Nôba, numa interpretação muito bem colocada para um vilão, no mínimo curioso. Eis que a partir do espisódio 02, o herói muda novamente de voz, e com esta seguiu pelo menos até o último capítulo exibido (ou gravado por algum fã), o 22.


E esta terceira voz sempre foi uma incógnita. Sua interpretação também apareceu em outras séries, como algumas participações em Jiban e Goggle V, mas o nome do dublador era desconhecido. Procurei saber com muitos atores da época, mas simplesmente de ouvido, era muito difícil de se lembrar, principalmente após 20 anos. Inclusive, o Camillo nem sabia que havia sido substituído. Para ele, a série tinha acabado até onde ele fez. Mas eis que numa atitude quase que inesperada, Hermes Baroli soltou um palpite, e Lucia Helena confirmou que se lembrava dele dublando na época.

Trata-se de Alexandre Reinecke, um dos maiores nomes do teatro deste país, e que hoje é praticamente o Diretor de Peças mais conceituado do Brasil. Esteve - e está - a frente de inúmeros projetos, inclusive a peça atual de Fabio Assunção, Adultérios, é dirigida por ele. Abaixo, uma entrevista concedida para Heide Guimarães, onde podemos ouvir sua voz e comparar com a voz de outrora:


Muito obrigado àqueles que me ajudaram a desvendar um dos maiores mistérios da dublagem das séries japonesas: Hermes Baroli, que mesmo sendo criança na época ligou o timbre à pessoa, e Lucia Helena, por ajudar a confirmar a informação. Há quatro anos venho pesquisando sobre o dono desta voz, e finalmente consegui resolver mais esta questão.

2 comentários:

Cláudio Roberto disse...

Oi Ivan. Neste final de semana, o Francisco Bretas participou de um evento aqui no RJ.

E, ele me respondeu algumas perguntas acerca do seu possível trabalho em Black Kamen Rider pela Focus.

Confira em http://www.youtube.com/watch?v=CIsc0kBZF1U

Abraços, CR

Betarelli, Ivan D. disse...

Oi Claudio, parabéns pelo bate papo. O Brêtas é um dos melhores dubladores na ativa em SP atualmente. Se a Focus seguir o caminho percorrido na dublagem de Jiban, com certeza teremos Elcio, Bretas e Lobue de volta em Black Kamen Rider.

Abraços.